Considerações sobre o amor juvenil

Foto by Pinterest

Nunca entendi ao certo o que era amor… foram erros atrás de erros, mas como descobrir se não tentar? Quando a menina tinha sete anos de idade, ainda estava aprendendo a ler e escrever. Era início do ano letivo da 1ª série, recebera uma cartinha do menino de olhos verdes, mas não sabia ler, ao contrário dela, ele já sabia ler e escrever. Verde era a cor do paraíso.

Ela era muito tímida e tinha muito dificuldade de expressar os seus sentimentos mais profundos, coisas de capricornianos, talvez? Sei que ela gostava muito dele e o achava engraçado, bondoso, inteligente, gentil e muito nobre em suas ações para com ela e com os demais.

Em um dia qualquer, o menino disse para a professora que a sua mãe o ajudou a escrever uma cartinha de amor e que ele acabara de dar a tal cartinha para a menina mais bonita e inteligente da sala. Não recordo se menina ficou feliz com tal declaração ou desesperada com receio que todos fossem descobrir seus reais sentimentos… A professora empolgada com a ideia, leu a cartinha para toda sala ouvir. Ai, Jesus! O silêncio tomou conta da sala aula, a menina queria discrição, o menino todo orgulhoso queria que todos soubessem e o restante respiravam curiosidade (entre risinhos e cochichos).

A menina e menino de olhos verdes eram amigos, a amizade para ela era o caminho menos complicado e mais claro para aprender a confiar no outro. Era um critério? Sei lá, mas funcionava para ela. Oh, ser desconfiado!! ‘Confiar é uma pedra muito preciosa para dar para qualquer pessoa’, ouvia de sua avó sabida.

Os dois nunca deram um beijo e nem seguraram as mãos, mas era no cuidado, em suas conversas simples e na amizade que ambos cresciam em sentimentos. Ela gostava principalmente do jeito que ele olhava para ela e sorria em seguida, ela sentia paz do lado dele.

Vamos à cartinha de amor… me recordo das belas palavras do nobre cavalheiro; “Menina, seus olhos são muito bonitos, mesmo tão sérios. Você é mais a bonita, gentil e inteligente. Quando crescer, menina…vou me casar com você”. Ouvi cada palavra, sem perceber que não estava mais de cabeça baixa sentindo vergonha, mas com a cabeça levantada, coração acelerado e possivelmente de bochechas coradas. Essa era a sensação do primeiro amor.

Seis anos depois, com treze anos de idade o primeiro amor abraçou o desencontro e ficou apenas a cartinha rasgada… linda memória inocente. Agora já mocinha, um outro menino de olhos verdes a cerca, era uma disputa entre quatro amigos de lados diferentes. Verde era a cor do inferno.

Ela não entendia o motivo, estava bem longe de ser popular, não apreciava a ideia de alimentar falsas esperanças só por ego, via falta de honra ser leviana com o coração dos outros. Seu desejo era estudar, tinha muitos sonhos para conquistar e perdia paciência com joguinhos de conquista. Oh, menina esquisita!!

O rapazinho de olhos verdes era cobiçado e galanteador, já a mocinha era brava e determinada, porém em algum momento diante das inseguranças de adolescente, ela se deixou encantar, mesmo sentindo que não devia. O fato é que não houve beijos e nem promessas, aos poucos ele começou a aproveitar dela nas lições de casa e não queria que ninguém chegasse perto dela. Ela sabia que tinha algo de muito errado nesse tipo de amor. Pobre, criatura apaixonada! O que seria o amor?

Ele era o vencedor da disputa entre os amigos, no entanto, os amigos não deixaram barato sua falta de caráter. O tal galanteador tinha várias namoradinhas e a intenção dele era que a mocinha não poderia ser de mais ninguém. Que tipo de amor era aquele? Certeza que era amor? Deus, perdoai os tolos e inconsequentes (apaixonados)!!

A verdade chegou e as coisas explodiram… a mocinha só observava calada e numa distância segura (para o menino, é claro). Pense!! Quantas vezes, o coração precisa ser partido em nome do amor?! Será que isso obedecia algum tipo de lógica matemática ou auto sabotagem é tão doce como chocolate? Dê todos os nomes que quiser, mas isso está bem longe de ser amor! Então, será que esse equívoco acontece apenas nos corações adolescentes e os adultos estão imunes as paixões juvenis? Façam suas apostas!!!

Ahhh, a ‘paixonite aguda e equivocada’!! Vários dias se passaram depois do episódio e, sem ter coragem de encará-la direito, o rapazinho passa rapidamente e deixa o seu caderno na mesa da mocinha. Dá um sorriso charmoso e uma piscada para ela que observa a cena com tamanha fúria. Dizem que o amor e ódio andam lado a lado? Será? E onde fica o lado do amor próprio?

Me pergunto: Qual era o preço a se pagar por alguém de coração leviano? Ser enganada era ruim, mas se deixar enganar era pior? Ah, os amantes… que ironia!! Ela respira fundo, pega o caderno, levanta-se e vai até ele. Coloca o caderno na mesa do rapazinho, olha firme nos olhos dele e diz palavras sem som, mas bem claras: “Aqui não!! Nunca mais!!”

Autora: Paula Gouveia


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