Perfeição

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Perfeição! Perfeição! Perfeição! grita a menininha mimada e inquieta.
Perfeição significa pronto e acabado… logo o que o espera, se está acabado… é a morte!
Por que acelerar a morte, se ela é inevitável? E por que correr atrás da Perfeição a qualquer custo? Para provar o quê? Para ganhar o quê? O fim?
Amo a ideia de que Deus seja Perfeito, e como filha quero parecer com Ele, mas não creio que Ele queira me ver angustiada e desesperada com isso, a ponto de não enxergar mais nada na minha frente. Que controle temos sobre a vida… sobre o futuro? Se a jornada é mais importante, vamos contemplar o caminho e toda a beleza que há nele.
Quando chegar meu fim, talvez eu alcance a Perfeição ou não. Acredite, não tenho mais essa preocupação doentia. Eu pergunto: Que Perfeição é essa que temos corrido atrás com desespero para obtê-la? Obcecados para provar nosso valor? Como se prova o valor? Comparado a quê?
O diamante é valioso, mesmo que alguém com todos os méritos e riquezas, o desprezasse, dissesse que ele não tem valor e pisasse em cima dele com os pés sujos, isso não alteraria em nada o valor do diamante, não diminuiria o seu valor. Da mesma forma se alguém dissesse o contrário, o louvasse e dissesse coisas belas, tocando no diamante com todo cuidado e pompa, isso também não aumentaria o seu valor! O valor de um diamante é o valor de um diamante! (Ponto final).
“Olhai os Lírios do Campo”, disse Jesus. Há tanta beleza nessa pequena observação do Mestre. Ele sendo Deus, foi 100% humano, mas foi perfeito (pronto), em nenhum momento buscou aprovação ou aceitação e nem aproveitou disso para obter nada a seu favor. Viveu em simplicidade e leveza, fazia de um simples campo de lírios, um espetáculo aos olhos. Posso imaginar a cena… e vê-lo lá parado, talvez sujo por causa da poeira da estrada, com a pele queimada do sol, mas sorrindo, leve… livre.
Podia ter mostrado a Sua Glória e provado seu valor para aqueles que queriam o seu mal, mas pelo contrário, Ele dizia, “quem tem ouvidos, ouça”. Era um convite e não uma imposição, nem justificativas tolas! Ser, é algo libertador, você simplesmente é. Não tem haver com status, dinheiro, posição, diploma, conhecimento, atributos físicos ou seja lá o que for que te disseram, nada destrói o seu valor, nada te abala, você sabe quem é e está tudo certo.
Jesus podia mostrar seu Poder, mas escolheu mostrar o seu amor, misericórdia, graça e bondade. Não era viciado em aprovação. Não se preocupava com a sua reputação e caminhava levemente com pessoas “fora do padrão, miseráveis, excluídos, pecadores”, não sentia necessidade de que cressem em sua missão e nem em quem Ele era. Não veio para ser servido, mas para servir, foi exemplo de Amor. Como alguém tão Grande, tão Nobre, tão Poderoso escolheu ser pequeno, humilde e acessível a todos com tanta empatia, devoção e compaixão?
Vamos falar do Pai Deus! Por que Deus tão Poderoso prefere o anonimato do que o holofote? Por que Ele disse “Eu Sou Quem Sou” e não se esforça para dar nenhum detalhe a mais para provar a sua Existência?
Perfeição! Perfeição! Perfeição! – segue a gritaria de um menininho angustiado e birrento.
Por que carregar um peso desnecessário, ferindo a mim e aqueles que estão no meu caminho? Qual seria o objetivo de viver uma vida medíocre e vazia com base nas comparações injustas e convenientes do mundo? Se sou livre, por que me colocaria sob um jugo tão pesado?
Leveza! Leveza! Leveza! cantarolou uma velhinha.
Que sejamos leves para nós mesmos e para nossa paz de espírito! Transmitindo essa leveza para aqueles ao nosso redor, ainda que sejamos imperfeitos, ainda que pequenos, ainda que despreparados e limitados… transmita paz e empatia. Assim, como a água do rio, aquilo que é seu virá até você, fluindo, contornando todos os obstáculos… contornando! Guimarães Rosa, em seu livro “Grande Sertão: Veredas”, disse: “O que tem de ser tem muita força, tem uma força enorme”. Não se preocupe, plante boas sementes, a colheita será inevitável!
Simplicidade!Simplicidade! Simplificidade! disse a criança inocente.
Somos ambivalentes, todos estamos travando batalhas invisíveis, ninguém é melhor que ninguém, somos iguais e nosso destino é igual: a morte… o pó da terra, estando prontos, perfeitos ou não.
A vida é muito maior e mais importante que qualquer mesquinharia de sentimentos egoístas. Não nos cabe julgamentos, nem aos bons e nem àqueles que praticam o mal. A Graça é para todos e mesmo diante de tanta vaidade no mundo, desejo que assim como o Mestre, nossos olhos e corações permaneçam puros até o fim.
“Olhai os Lírios do Campo”…

Autora: Paula Gouveia


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