A cesta básica

Foto by Pinterest

Era um domingo ensolarado, beirando uns 40°C. Depois do almoço, todos se encontraram na igreja para o grupo de evangelização. A menina participava com muita dedicação nas atividades ligadas à igreja. Seu coração era inocente e incendiado por um amor inexplicável por Deus.
Aquele dia receberam orientação para ir pelos bairros da cidade e pedir doações de alimentos. Esses alimentos eram separados em cestas básicas para as famílias carentes da igreja. Quando soube, a menina ficou empolgada, cheia de energia e disposição para realizar àquela tarefa. “Deus ficaria feliz”, pensou ela sorrindo sozinha.
No final da tarde, a missão tinha sido cumprida. Todos estavam cansados e muito suados, mas felizes pela quantidade de alimentos arrecadados. Foi feita uma oração em agradecimento a Deus e mais tarde o pastor dividiria os alimentos e montaria as cestas básicas para distribuir às famílias que estavam passando dificuldades.
Antes de ir embora para casa, a menina ainda surpreendida com a quantidade de alimentos em cima do altar da igreja, se aproximou sorrindo para si mesma, pensando o quanto Deus era bom.
Sem que percebesse, a “garota mais popular e mais bela” da igreja aproximou-se da menina. Ela era linda, inteligente, sempre muito bem vestida e aparentemente vislumbrava ter uma vida abençoada. Ela não gostava da menina, mas a menina não entendi os motivos e não dava importância para uma rivalidade sem pé e sem cabeça.
Venha comigo! Vamos ouvir a conversa… Desculpe, não me recordo ao certo… não houve conversa, só a “garota popular” falou… sorrateiramente se aproximou da menina e sussurrou no ouvido dela. ‘Você sabia que essa comida que foi doada é para a sua família… fiquei sabendo que você estão passando muitaaaa necessidade’.
A menina olha para a garota, mas não lhe dá nenhuma resposta. Seu corpo inteiro ficou tenso e sentiu crescer uma raiva misturada à vergonha que revirou a sua cabeça. ‘Por que eu baixei a guarda? Por que eu baixei a guarda?’, dizia para si mesma. Vejo a garota a se afastar sorrindo maliciosamente e a menina a se perguntar: ‘Por que eu baixei a guarda?’
Por muito tempo, mantive a minha guarda levantada para tudo (situações boas e ruins), nunca me permitia baixar a guarda, às vezes ainda me vejo fazendo isso. Por muito tempo, pensei que eu sempre teria que fazer alguma coisa para merecer o que queria. Por muito tempo, dizia deixar Deus no controle, enquanto me enganava com meu falso senso de responsabilidade. Você já se perguntou, por que age como age?
Hoje vejo que a “garota popular” não precisava agir daquela maneira como agiu, ‘chutando um cachorrinho quase morto’, mas no fundo eu sabia que ela não suportava a ideia da menina ser quem era, mesmo tendo tão pouco… Não suportava a ideia da menina ser grata e viver acreditando em um futuro, mesmo enfiada em uma situação tão difícil, complicada e limitada.
Vejo também que a menina não devia se sentir culpada diante das intempéries da vida e das conversas maldosas das pessoas que se achavam no direito de julgar sua família. Mas eu sei que ela não tinha maturidade para compreender tudo aquilo, só Deus e o tempo se encarregaria dessa missão.
Eu sei também que muitas pessoas tinham suas razões, mas menina via que nenhuma delas tinham a vida ou uma conduta exemplar para apontarem seus dedos ou jogarem suas pedras. Afinal, quem sairá imune a qualquer adversidade dessa vida?
Não me importo mais…
Aqui, bem aqui, deitada no chão da minha casa, ouvindo apenas o canto dos passarinhos, o som do vento a bater em minha janela e dançar com as cortinas brancas da minha sala…
Bem aqui, neste instante… sou capaz de ver aquela menina quase mocinha, de sapato apertado nos pés, roupas usadas e pele queimada do sol. Vejo seus cabelos longos e ondulado, seu semblante sonhador com um ar inocente e um olhar forte (às vezes um pouco melancólico e vago, admito), sempre alimentando (ainda que precariamente) a sua fé em Deus, em si mesma e na Vida.
Sim, bem aqui, neste exato momento… sou capaz de vê-la sorrindo para mim, aquele sorriso e olhar que significava que nada a impediria de lutar por uma vida melhor, eu sei… eu sei… Então, ao vê-la seguir em frente, percebi que nós duas compreendemos que tudo cooperou para o nosso bem! Exatamente tudo!!!…

Autora: Paula Gouveia


4 comentários sobre “A cesta básica

    1. Amém, querida!! Deus permite muitas situações… a gente questiona no momento, mas se confiarmos que Ele nos dará a força necessária para enfrentarmos e aprender… com certeza sairemos mais fortes!! Obrigada pelo seu comentário! Deus te abençoe e um beijo no seu coração!!

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    1. Toda história é importante!!! Não dá pra jogar as coisas embaixo do tapete!!! É preciso encarar com coragem e ajuda de Deus!! A limpeza tem que ser feita, é um trabalho árduo, mas passear pela casa limpa e organizada depois de todo trabalho realizado, não tem preço!!

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