Recomeçar

Foto by Pinterest_“A Star Is Born”

Dois jovens com histórias tão distintas, encurralados por dores profundas, marcadas por dois passados obscuros e feridas inexplicáveis. A visão romântica dela. Uma noite estrelada. Ela com seu vestido florado. Ele com o seu jeans batido. Ele pegou a mão dela, fez uma obervação gentil e a olhou nos olhos. Ela sorriu (um pouco) nervosa, tímida e surpresa. Uma oportunidade, ele se aproximou e ela o encorajou. Ele a beijou e ela sorriu de novo. A segunda-feira tornou-se seu dia preferido, (foi o dia do primeiro encontro), haviam boas recordações e lá estava ela a suspirar por um futuro novinho.

A delicadeza no olhar e as várias expectativas de um começo. Os sonhos, os planos, os projetos, os compromissos, imaturidades, carências e incertezas também. Ele a deu uma aliança e confidenciou seus segredos. Ela apenas quis que ele segurasse a mão dela pela jornada, oferecendo por vontade própria validação e proteção a ela, mas ele não entendeu. Começou a construção e no meio do caminho surgem os sinais da falta de alinhamento. A expectativa do primeiro filho e as “decisões” adiadas. O que é parceria? Conflitos, famílias e confusões. Qual seria o próximo passo? Que próximo passo? Um futuro de possibilidades podadas por falta de vontade? Você nunca cansa? Se não me desafia, então o quê? Fazer, fazer e fazer. Um belo dia, virou o piloto automático, um esgotamento de energia, a vida foi escapando pelas mãos e sonhos sendo esquecidos no fundo de uma gaveta qualquer. Ela morria por dentro e por fora. Ele morria a seu próprio jeito… sofria negando.

A dor de algumas verdades e as fraquezas que machucaram. Consequências e responsabilidades da vida adulta. Escolhas difíceis devem ser enfrentadas, nada se pode empurrar com a barriga! Ela foi se fechando e ele se afastando. Surgiu uma esperança como uma luzinha fraca piscando… Ouve o desnudamento da alma com um desespero para viver algo de verdade, o convite para recomeçar (antes do fim) e a falta de vontade novamente transmitida em um olhar com frieza e deboche.

Um dia começo, outros dias “o meio” e depois um fim. Ele virou as costas e ela segurou as pontas. Escolhas infantis. Ela devolveu a aliança. Sofrimento. Distância. Ela esperou, quem poderia tomar uma decisão tão importante assim? Mais espera. As orações. Solidão. Mais orações. Quem pode forçar alguém estar em um lugar que não quer? Os olhares de julgamento. A dor silenciosa. O fim foi iminente. Foi deixado ao pé da porta n° 13, uma caixinha branca e bonita, dentro dois corações quebrados como porcelana, um bilhete dizendo “tudo que podia… foi feito”e muitas memórias em respeito da história que se viveu.

Então, depois de muitos anos e um dia comum… daqueles que simplesmente acontece em um final de tarde, depois de um dia de trabalho, enquanto caminha em direção a sua casa, observando… as pessoas e refletindo com Deus. Assim do nada, Ele diz: RECOMECE (AGORA)!!!

Começar e recomeçar parecem ter o mesmo sentido, mas olho para você no espelho e compreendo o seu receio em recomeçar algumas coisas. Começar é sempre empolgante, tudo novo, grandes expectativas e tem aquele gostinho de um otimismo cego. Onde tudo parece possível, não existem cicatrizes, não tem dores, não tem nadinha antes dele e qualquer coisa que seja definido como o “primeiro”, nos entorpece de paixão e vemos tudo já dado como certo.

Ahh, mas Recomeçar… digamos que é desafiador! O recomeço vem caminhando com medo, arisco, desconfiado e muito cético… iniciando com uma informação muito clara que algo não deu certo lá atrás. A responsabilidade do peso das experiências e das dores misturadas a muita frustração e cansaço. Recomeçar significa que você precisará recalcular e analisar com muita honestidade tudo aquilo deu “errado”. Significa também que precisará abandonar algumas estratégias que não funcionaram, vai ter que decidir desaprender, desconstruir as suas verdades e ressignificar muita coisa. Sim, é preciso de empolgação para começar, mas para recomeçar é preciso muita humildade e coragem.

Então um dia, você começa a comparar a sua história com outras histórias. A gente tem mania de comparar a nossa história com a história dos outros, quando na verdade não existe um tipo único e ideal de história para se viver. Cada história é única!!! Não existe história certa ou errada, existem histórias diferentes!! O valor somos nós que damos ou damos ao outro esse direito (e sofremos porque nos sentimos incompreendidos! Ah coitadinha de mim..), o que seria injusto, pois só quem viveu o que viveu saberá o que sentiu e o outro não tem a obrigação de entender. Compreende que a conta nunca fecha, se sempre esperar do outro aquilo que depende só de você?!

Em suas mãos está o poder de agregar valor a sua história, cada um cumpre na vida do outro o seu papel por algum tempo, como hospedeiros (isso vale para você também!). A beleza salta aos olhos quando me permito enxergar e compreendo que cumprimos nossos papéis na temporada ou temporadas que Deus disponibilizou… Aqueles belos momentos em que você pode fechar os olhos e sorrir sozinha.

Quanta beleza!! Quanto aprendizado!! Aprenda a fechar os ciclos! Cada época tem a sua própria dor e a sua própria beleza. Aceite! Sigo com carinho guardando com respeito em meu coração, boas memórias daquilo que vivemos juntos e decidi me desapegar das ideias que criei na minha cabeça imatura de algo que morreu, que não floresceu, de algo que teve seu começo, meio e um fim necessário. Por que você não fecha as portas que já não te levam mais para lugar nenhum?

O fracasso ou sucesso dependeram dos dois, não existe um só culpado ou uma só vítima. É entregue nas mãos dos dois… metade para cada um da responsabilidade daquilo que morreu e as consequências serão de ambos, mas cada um vai lidar com elas de forma diferente. Fato é que ninguém permanece o mesmo depois de um encontro.

Então quando a chuva com ventos passa e a tranquilidade se instala, alguém ouve: “Você não sabe o tanto que eu sofri!”– diz aquela voz mimizenta que existe dentro de nós (e que conhecemos muito bem!). Tenho certeza que sofreu sim, mas também acredito que se sentarmos em uma roda com muitas pessoas, descobriremos que sempre existirá alguém que sofreu mais do a gente, (muito mais!). Que tal, parar de ouvir essas vozes internas e externas que não têm nada para dizer, (com suas palavras vazias, egoísta e vitimistas)?

Não menospreze as pessoas que passaram em seu caminho e talvez hoje, já não caminham mais com você. O nosso papel foi cumprido, sem um jeito certo ou errado, mas do jeito que podia ser, do jeito que podia ser naquele momento e ponto final.

E mais… Não menospreze aqueles que estão agora em seu caminho, talvez a felicidade está debaixo do seu nariz e você ainda não percebeu, porque estava olhando sempre para a direção errada, afobada, magoada, fechada em si mesma, afastando qualquer intenção pura e sincera de aproximação. Negando o que esteva sendo ofertado a você… ofertado de um jeito perseverante, sutil, silencioso e de mansinho. Se aquiete e perceberá.

Não devemos supervalorizar a nossa dor, mas também não devemos negá-la. Não preciso agir com perfeição ou como super-heroína quando posso agir com mais humanidade, por respeito a construção de toda a minha história e pelo outro que talvez esteja perdido olhando para mim como inspiração.

Só se vive uma vez!!! Só se tem uma vida!!! Ninguém tem um manual e se tiver duvido que o compreenda em sua totalidade!! Não posso permitir que a minha vida seja vivida de qualquer jeito. Existem riscos, muitos riscos. Quem me garantirá que terei uma segunda chance? No meio dos ruídos, onde você se posiciona com resistência em relação a uma mente mais pacificada, surgem vários poréns. ‘Ah quem me dera haver fórmulas mágicas sem efeitos colaterais!! Ah quem me dera isso ou aquilo outro!! Ah quem me dera ou Ahh se e se e se e se’… Esses são os pensamentos que roubam nossas melhores oportunidades… de ter uma vida mais significativa e um tipo de plenitude mais flexível e possível.

Então, no seu divã da autopiedade, você ouve outra voz mimizenta: “Por que arriscar, se é mais seguro ficar confortável na minha vidinha insignificante(com problemas já conhecidos e minha “pseudo” paz egoísta), onde eu não sou desafiada a crescer? Onde posso arrumar justificativas infundadas e colocar a culpa em tudo e em todos por minha vida ser do jeito que é? Não é mesmo?”

E lá vamos nós… Criamos prisões em nossa própria mente, entramos na cela, nos trancamos e ficamos lá na escuridão a lamentar todos os “ses”… (e pior) com a chave nas mãos… esperando que alguém venha ter peninha de nós e nos salve da nossa insanidade hipócrita e egoísta. O outro não tem a responsabilidade de resolver seus problemas e te fazer feliz. Essa responsabilidade é sua! Não coloque no outro esse peso, pois um dia o outro se cansará, afinal ele já tem suas próprias questões para resolver. O encontro tem que ser para agregar valores, somar, complementar, transbordar e partilhar a vida… É parceria! É cada um fazendo a sua parte para construir algo honrado e bonito com a finalidade de desfrutar juntos uma vida que valeu a pena.

Ahh mas você e eu, continuamos criando prisões com a chave do cadeado nas mão. Qual a loucura aqui? Criar uma prisão para mim mesma? Ou ficar presa consciente que a liberdade está em minhas mãos? Quanto tempo você tem sido carrasco de si mesmo?! Quanto tempo acha que ainda tem para começar a construir a vida que se quer viver? Ou quanto tempo acha que tem para (então) Recomeçar? Será que existem receitinhas que sirvam para você ou para mim? Por que quer atalhos? Quer se assegurar de quê? Se a Vida está te pedindo coragem para seguir em frente e recomeçar…

Talvez você deva recomeçar pelo começo, ou pelo meio, ou de trás para frente. Não importa, mas faça alguma coisa por você. Abandone os “ses” e as ideias que demoram a perderem o sentido quando alimentadas como verdades absurdas e sem fundamentos reais.

E quem sabe, você abrace essa nova temporada com ousadia e saia do barco, olhando para Deus que te encoraja (mesmo em meio a tempestade e o mar agitado que simbolizam os seus medos). Deus já te viu no futuro!

Então, lá do barco (sendo jogado para lá e pra cá), você pergunta para Ele:

– Se És tu Senhor, mande-me ir ao seu encontro por sobre as águas.

E Deus responde com toda a firmeza:

– Vem!

Autora: Paula Gouveia


6 comentários sobre “Recomeçar

  1. Uma bela história. As pessoas realmente devem refletir e recomeçar sempre! Olhar para trás não adianta; é preciso viver o presente. Boas ações, bons pensamentos colaboram para um futuro melhor.

    Curtido por 1 pessoa

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