Vaga-lume

Foto by BugDreams.com

Gostaria de entender as complexidades que formam a minha mente, fora do abismo de mais e mais informações, além das palavras, dos códigos e signos… Estrondosa e imensurável. Olho pela janela para compreender… um lapso entre o simples e o complexo que me envolve misteriosamente. Será que se visse tudo aquilo que vejo em parte, me aquietaria? Será que observaria melhor a mim mesma, a vida e os outros? Será? Talvez, pudéssemos ver melhor, quem sabe…

Como dominar o indomável? Agora vejo aquele belo cavalo selvagem… o meu belo cavalo selvagem. Vejo ele cavalgando livremente em campos cobertos de flores e mato. A sua linda crina contra o vento, feliz por correr livre e por estar bem ali naquele lugar. Onde estaria a beleza no enigma desvendado? Talvez, seja por isso que Deus mexe com a nossa imaginação. Talvez seja por isso que fico encantada com Deus… Como explicar alguém tão misterioso e inexplicável?

Não vejo o véu oculto que cobre a Vida, mas sinto que ele está bem diante de mim. Encontraríamos alguma resposta precisa ou adequada? Será mesmo que quero uma resposta? Se quero, por que será que tenho a impressão de que nunca a terei por completo? Fico assombrada com a vastidão de todo o Universo e tudo o que compõe essa obra de arte tão… tão perfeitamente alinhada.

Olhe para você, nunca conseguirá conhecer-te por completo. NUNCA! Talvez seja por isso que o fascínio aumenta. Na vastidão do mundo, em meio a meditações, vem a melancolia… não vou ler todos os livros que gostaria de ler, não conhecerei todos os lugares, não conhecerei todas as pessoas e culturas, não me conhecerei por completo e mergulho em uma profundidade sem fim.

Julgo meu modo de ver a vida e o modo como estou passando a enxergar para ver. O que vê no outro, senão muitos reflexos de si mesmo, em projeções inconscientes que nos conecta a (suas e minhas) fragilidades e não virtudes.

Esfinge que sorri e olha… a ilusão vem cansando e não há mais tempo para perder. Cansaço ao analisar o óbvio, cru e nu, bem diante dos meus olhos fartos de mim e dos outros. Por que a gente gosta de enfeitar? Minha constatação ora é lúcida, ora é insana. Julgue-me se quiser. Não sou especial e talvez você se choque com a ideia de que você também não é especial.

Você sente… seu cansaço é na alma, no jeito que vive, ou andou vivendo ultimamente. Será que sei o que é viver enquanto caminho em um mundo tão extraordinário e ordinário ao mesmo tempo? E quão rara é a vida. Ela não dura o tempo que imaginei durar. Primeiro para sempre e sem envelhecer, ela voa como borboleta que pensava estar nas minhas mãos. O “para sempre” cabe na eternidade, aqui não. Aqui é “para agora”, “para o hoje, nesse instante” e é uma batalha árdua se desvencilhar da instantaneidade do momento presente e da superficialidade recorrente. Uma época que tudo se vê, mas não se enxerga. Tudo se ouve, mas não se escuta.

Por que procuramos significados em apenas luzes que se acendem aleatoriamente? Por que temos medo da escuridão silenciosa e desconhecida? Decidi apagar todas as luzes… senti a brisa fresca em meu rosto, respirei fundo e agora tudo parece somente escuridão. Lá vem uma pequena luz a brilhar… devagarinho vem se aproximando e me surpreendo com um pequeno vaga-lume.

A escuridão não me importa mais!…

Nem tudo precisa ser necessariamente complexo para ser admirado, nem a escuridão precisa ser explicada, mas um pequeno vaga-lume pode te resgatar e trazer esperança de novo. A alma caminha, perambulando pela neblina densa e me sinto impotente diante de tal imensidão que o Desconhecido se apresenta. Andamos como zumbis, sem direção, aprisionados por distrações e com escamas nos olhos da falta de fé.

Acentuando uma beleza que julgava ser real, mas era ilusão. Eu não quero mais ver! Eu preciso enxergar! Eu não quero mais ouvir! Eu preciso escutar! Aquilo que imaginava não existiu de fato, mas volto a olhar mais de perto e mergulho profundamente. Mais um passo e me vejo em um mundo vasto em transformação, em movimento… acontecendo. Algo que ignoro ser o resultado, algo simplesmente inacabado… em construção.

O meu pequeno vaga-lume que brilha… me apontando a direção, ainda confusa e pouco clara, mas que instintivamente me leva a ouvir uma Voz gentil, mansa e ao mesmo tempo poderosa… uma Voz que vibra e me empurra para infinitas possibilidades.

Autora: Paula Gouveia


3 comentários sobre “Vaga-lume

  1. Gosto de enigmas,de portas secretas,de descobertas, escrever em códigos…me encanta ser indecifrável…todos os dias busco mais de mim ❤️ acreditar que tem um Deus cuidando dos detalhes da minha vida,me fortalece,me dá paz,conforto…Deus é mistério e,os mistérios sempre nos encantará…eu não conheço,eu não tenho todas as respostas… também não as quero…Deus me surpreende seeeeepre 🙏

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